Entre uma coisa e outra
Entre a pérola e a ostra
Entre a lágrima e o sorriso
Entre a dor e o alivio
Entre o mega-fone e o cochicho
Entre a água e o fogo
Entre o certo e o louco
Entre a alegria e o sufoco
Entre o muito e o pouco
Entre o limpo e o porco
Entre o beijo e o soco
Entre o afinado e o rouco
Entre o velho e o moço
Entre o copo e o poço
Entre a fome e o almoço
Entre a preguiça e o esforço
Entre a fruta e o caroço
Entre o que falo e o que ouço
Entre o que eu sou contra e o que eu torço
Entre o queixo e o pescoço
Entre a raiva e a calma
Entre o corpo e a alma
Entre a fauna e a flora
Entre a mão os dedos e a palma
Entre o sucesso e a lama
Entre o fracasso e a fama
Entre quem me odeia e quem me ama
Entre a empregada e a dama
Entre o chão e a cama
Entre o pobre e o rico
Entre a segurança e o risco
Entre o puro e o promíscuo
Entre o cuidadoso e o omisso
Entre aquilo ou isso
Entre o sol e a chuva
Entre a noiva e a viúva
Entre a reta e a curva
Entre a cor e o incolor
Entre o espinho e a flor
Entre o cheiro e o fedor
Entre o ódio e o amor
Entre a fé e a descrença
Entre o empurrão e o pedido de licença
Entre a ignorância e a ciência
Entre o nervosismo e a paciência
Entre o explicito e a falta de transparência
Entre o fim e o começo
Entre o apagado e o aceso
Entre o magro e o obeso
Entre o livre e o preso
Entre a caneta e o papel
Entre a terra e o céu
Entre o conforto e o léu
Entre o convento e o bordel
Entre a moca e o mosquito
Entre o bonito e o esquisito
Entre o quilo e o litro
Entre a galinha e o pinto
Entre o que penso e o que sinto
Entre o suco e o vinho tinto
Entre o sexto e o quinto
Entre a carne e a faca
Entre o doente e a maca
Entre o boi e a vaca
Entre o facão e a jaca
Entre o que e mau e o que é bom paca
Entre o macaco e a macaca
Entre o cidadão de bem e o bandido
Entre o condenado e o absolvido
Entre o achado e o perdido
Entre o desaparecido e o aparecido
Entre o sarado e o ferido
Entre quem é feliz e quem é sofrido
Entre o químico e o alquimista
Entre o raper e o repentista
Entre o baterista e o pianista
Entre o cidadão comum e o artista
Entre a prancha e o surfista
Entre o magrelo e o halterofilista
Entre o carro e a pista
Entre o que está decorado e o que está na lista
Entre o telefone e a telefonista
Entre o derrotista e o otimista
Entre o seu e o meu ponto de vista
Entre a rima e o verso branco
Entre o dinheiro e o banco
Entre o fingido e o franco
Entre a sandália e o tamanco
Entre o preto e o branco
Entre o espelho e o feio
Entre quem chamei e quem veio
Entre o que escrevo e que leio
Entre o fraco e o forte
Entre a vida e a morte
Entre o azar e a sorte
Entre o sul e o norte
Entre os pontos e o corte
Entre a calça e o short
Entre as costas e o chicote
Entre o pequeno e o grande porte
Entre a rua e o poste
Entre o relento e o elegante
Entre a barata e o elefante
Entre o co-piloto e o comandante
Entre o livro e a estante
Entre o vinho e o refrigerante
Entre as minhas expressões e o meu semblante
Há quem arranque e há quem plante
E as minhas rimas, um dia haverá alguém que as cante?
Talvez alguém cante mas, essa é muito grande e acho que seria difícil musicar; Mas, nunca se sabe.
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